Símbolos Nacionais


[A Bandeira Nacional]
[O Hino Nacional]


A Bandeira Nacional

Existem duas bandeiras da Eslovénia. Ou, melhor dizendo, existe uma bandeira da República da Eslovénia e uma bandeira dos Eslovenos. A bandeira da República da Eslovénia é aquela que todos conhecemos, que é hasteada nos edifícios políticos, que representa o estado esloveno em encontros internacionais ou competições desportivas, por exemplo. No entanto, está consagrada na constituição uma outra bandeira, que representa o povo etnicamente esloveno e que é igual à bandeira da República da Eslovénia mas não tem o brasão.

A "bandeira dos Eslovenos" é rectangular: o seu comprimento deve medir o dobro da sua largura. Divide-se em três listras horizontais com a mesma altura (ou seja, cada uma das cores cobre exactamente um terço da bandeira): a superior é branca, a intermédia é azul e a inferior é vermelha.



A bandeira da Eslovénia é exactamente igual à bandeira dos Eslovenos, mas possui um brasão em forma de escudo que adorna o canto superior esquerdo da bandeira. Esse brasão foi desenhado por Marko Pogacnik e baseou-se em dois brasões já existentes: o brasão dos condes de Celje (à esquerda) e o brasão da República Socialista da Eslovénia.

               


Do primeiro Pogacnik retirou as três estrelas de seis pontas, dispostas em forma de triângulo invertido. Os condes de Celje foram a última família feudal do território que hoje é a Eslovénia. Mantiveram o seu feudo quando, em 1335, a Eslovénia caiu nas mãos dos Habsburgo, mas, em 1496, quando o último herdeiro desta dinastia foi assassinado, o território dos condes de Celje passou também para o império dos Austríacos. De qualquer forma, o brasão dos condes de Celje não deixa de ser um símbolo da resistência Eslovena à invasão Austríaca.

Do brasão da antiga República Socialista da Eslovénia, Pogacnik retirou o monte Triglav e as ondas que, abaixo deste, representam o mar. O monte Triglav, que se situa no noroeste da Eslovénia, é o monte mais alto e mais simbólico do país. Tem três cumes, e daí o seu nome "Triglav" , que significa "três cabeças". Triglav é o nome de um deus Eslavo que, com as suas três cabeças, vigia o céu, a terra e o inferno. Sob o Triglav estão representadas duas ondas que simbolizam o mar. Apesar da Eslovénia possuir apenas cerca de 50km de costa, a representação do mar é de um enorme simbolismo, já que a reconquista do acesso ao Adriático que lhe fora tirado foi uma grande vitória do povo Esloveno. Mas o simbolismo do brasão da Eslovénia não fica por aqui: as estrelas são também uma representação do espiritual, enquanto o Triglav e as ondas representam o material. O autor sugere ainda outras explicações para a sua obra, explicações estas que poderá encontrar no documento Marko Pogacnik's Explanation, disponível apenas em Inglês (a página será aberta numa nova janela).

Um bordo vermelho à volta do brasão (excepto na parte de cima) completa o trio de cores que, além do escudo, figuram também na bandeira da Eslovénia. Estas cores não foram escolhidas por acaso: foram retiradas do brasão do Ducado de Carniola, que era, precisamente, branco, azul e vermelho. O brasão do Ducado e o brasão criado por Marko Pogacnik que, a partir do dia 24 de Junho de 1991 (véspera da declaração da independência), passou a fazer parte da bandeira da Eslovénia, são, respectivamente, os seguintes:

               


O brasão, que deverá medir um terço da altura da bandeira, deve ser colocado na bandeira de forma a que o seu ponto central se encontre sobre o ponto que horizontalmente corresponde exactamente a um quarto do comprimento da bandeira e verticalmente se define pela união das cores branca e azul. Assim, a metade superior do brasão cobre exactamente metade da altura da listra branca, enquanto a metade inferior do brasão cobre exactamente metade da altura da listra azul.



No ano de 1848, ano simbólico na luta pela independência (foi nesse ano que foi apresentado o programa "Eslovénia Unificada"), a bandeira eslovena (sem o brasão, apenas as listras branca, azul e vermelha) foi hasteada pela primeira vez, num pub em Ljubljana. Como na altura a Eslovénia ainda se encontrava sob domínio Austro-Húngaro (para saber mais sobre o contexto histórico em que este acontecimento se enquadra, ver a parte História), o acto foi considerado ofensivo pela polícia e algum sangue chegou a ser derramado, com os autores do "crime" a terminarem na cadeia.

26 de Junho de 1991 - a nova bandeira é hasteada Passados mais de 140 anos e depois de muita discussão, a Eslovénia independente adoptou essa mesma bandeira, incluindo um brasão no seu canto superior esquerdo. No dia 26 de Junho de 1991, dois dias depois de escolhida a bandeira nacional e um dia depois de declarada a independência, a bandeira da agora independente Eslovénia foi hasteada na praça da República, em Ljubljana, enquanto a bandeira da antiga República Socialista da Eslovénia (igualmente branca/azul/vermelha, mas com uma estrela vermelha no centro) era retirada do mastro.

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O Hino Nacional

France Preseren, o maior poeta Esloveno, tinha um grande sentimento nacionalista e, no seu tempo (primeira metade do século XIX - nasceu em 1800 e morreu em 1849) participou activamente na luta pela independência, tendo estado presente no momento alto dessa luta, em 1848, quando foi lançado o programa "Eslovénia Unificada". Quatro anos antes, em 1844, Preseren escrevera um fabuloso poema que exigia e exultava a liberdade da Eslovénia, ao qual chamou "Zdravljica" - em Português, "O Brinde". Esse poema seria incluído na sua colecção de poemas "Poezije", lançada em 1847, mas foi censurado. Só um ano depois, após o histórico mês de Março de 1848, o poema foi finalmente publicado no jornal Novice.

"Zdravljica" foi sempre considerado um símbolo da Eslovénia enquanto nação e um símbolo da luta pela independência, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial, quando o território Esloveno foi dividido entre as potências do Eixo e se formou na Eslovénia a Frente de Libertação Nacional. Nos anos oitenta, quando a independência da Eslovénia começava a ganhar forma, "Zdravljica" foi sempre cantado como hino nacional, tendo passado a sê-lo oficialmente a 27 de Setembro de 1989. No ano seguinte foi adoptada como hino oficial apenas a sétima estrofe do poema, com música de Stanko Premrl (1880-1965)..

Mais uma vez, se quiser saber mais sobre o contexto histórico em que "Zdravljica" foi escrito, a Frente de Libertação Nacional e a luta da Eslovénia pela independência, consulte a parte História.

Este é o poema "Zdravljica" em Esloveno, com a sétima estrofe (ou seja, o hino nacional) a negrito, a que se segue a tradução para Português, feita por nós a partir da versão em Inglês encontrada na página oficial do Gabinete de Relações Públicas do Governo Esloveno.

Zdravljica

Spet trte so rodile,
prijat'lji, vince nam sladko,
ki nam oživlja žile,
srce razjasni in oko,
ki utopi
vse skrbi,
v potrtih prsih up budi.

Komu najpred veselo
zdravljico, bratje, c'mo zapet'?
Bog našo nam deželo,
Bog živi ves slovenski svet,
brate vse,
kar nas je
sinov slovece matere!

V sovražnike `z oblakov
rodu naj naš'ga trešci grom!
Prost, ko je bil ocakov,
naprej naj bo Slovencev dom;
naj zdrobe
njih roke
si spone, ki jim še teže!

Edinost, sreca, sprava
k nam naj nazaj se vrnejo!
Otrok, kar ima slava,,
vsi naj si v roke sežejo,
da oblast
in z njo cast,
ko pred, spet naša bosta last!

Bog živi vas, Slovenke,
prelepe, žlahtne rožice!
Ni take je mladenke,
ko naše je krvi dekle;
naj sinov
zarod nov
iz vas bo strah sovražnikov!

Mladen'ci, zdaj se pije
zdravljica vaša, vi naš up!
Ljubezni domacije
noben naj vam ne usmrti strup;
ker po nas
bode vas
jo srcno branit' klical cas!

Žive naj vsi narodi
ki hrepene docakat' dan,
da koder sonce hodi,
prepir iz sveta bo pregnan,
da rojak
prost bo vsak,
ne vrag, le sosed bo mejak!


Nazadnje še, prijat'lji,
kozarec zase vzdignimo,
ki smo zato se zbrat'li,
ker dobro v srcu mislimo.
Dokaj dni
naj živi
Bog, kar nas dobrih je ljudi!
O Brinde

A vindima, amigos, terminou
E o vinho doce, novamente,
Recupera os olhos tristes e os corações,
Enche as veias de fogo ardente.
Afoga as nossas preocupações
Em qualquer lugar
E do desespero esperança faz brotar.

A quem com aclamação
Dedicaremos o nosso primeiro brinde?
Deus proteja a nossa terra e nação
E todos os Eslovenos, onde quer que vivam
Que possuem o mesmo
Sangue e nome
E que reclamam uma gloriosa Mãe.

Que a tempestade dos céus
Se abata sobre o nosso inimigo e o mate!
Agora, como uma vez prosperou
Que o nosso reino cresça em liberdade.
Que caiam as últimas
Correntes do passado
Que nos cegam ainda e presos nos mantêm!

Que a paz, a feliz conciliação
Regresse a nós através das terras
Em direcção ao seu destino
Que os Eslavos caminhem de hoje em diante mão na mão!
Assim novamente
Reinará a honra
À justiça prometida na nossa nação!

A ti, nosso passado que nos orgulha,
Às nossas raparigas! À vossa beleza, encanto e graça!
Não existe certamente tesouro
Que iguale as donzelas desta raça.
Os filhos que darão à luz,
Que se atreverão
A desafiar o nosso inimigo seja onde for.

À nossa esperança, ao nosso amanhã
Às juventudes - brindamos e brindamos com alegria.
Nem ferida nem tristeza
O vosso amor pela pátria destruirão.
Connosco certamente
Atendereis
Ao seu chamamento nesta hora de necessidade.

Deus abençoe todas as nações,
Que esperam e lutam por esse glorioso dia,
Quando em todo o Mundo
Nem guerra nem contenda dominarão;
Quem espera ver
Todos os homens livres
Que, não mais inimigos, vizinhos serão.


Por fim, à nossa reunião -
A nós um brinde! Que este ecoe,
Pois nesta feliz comunhão
Os nossos pensamentos de fraternidade nos unem
Que este alegre regozijo
Jamais desapareça
Dos bondosos corações aqui reunidos.


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