Outras Modalidades


Rudolf Cvetko - é este o nome do esgrimista que teve a honra de ser o primeiro Esloveno a participar nos Jogos Olímpicos. Fez parte da equipa Austríaca nos Jogos de Estocolmo, em 1912, e voltou para casa com uma medalha de prata, coroando de êxito a estreia olímpica da nação Eslovena. Mas foi na década de 20 que a Eslovénia, embora vestida com as cores da Jugoslávia, conheceu a sua época de maior glória olímpica, e tudo devido a uma única modalidade: a Ginástica.

Leon Stukelj numa competição em Lyon em 1926 Um senhor chamado Leon Stukely começou em 1924, em Paris, a escrever o seu nome na história do desporto. Nesse ano, nos Jogos Olímpicos, conquistou duas medalhas de ouro; dali a quatro anos, em Amsterdão, conquistou uma medalha de ouro e duas de bronze; em 1936, nos famosos Jogos Olímpicos de Berlim, depois de ter faltado aos de 1932 por lesão, fechou a carreira em beleza com uma medalha de prata. A isto juntam-se catorze medalhas em grandes competições internacionais, das quais cinco foram de ouro. Nos Jogos Olímpicos de 1928 Stukelj surpreendeu o mundo com um espectacular e original movimento nas argolas, que ainda hoje se chama "movimento Stukelj".

Leon Stukelj era, até 8 de Novembro de 1999, o mais velho campeão olímpico do mundo. Nascido a 12 de Novembro de 1898, na cidade de Novo Mesto, faltavam apenas quatro dias para completar 101 anos quando faleceu, vítima de uma paragem cardíaca, num hospital em Maribor. Leon Stukelj sempre foi alvo da admiração de todos e de diversas homenagens, principalmente à medida que ia envelhecendo sem perder a alegria de viver nem a agilidade - diz quem viu que aos 100 anos Stukelj ainda fazia coisas que a maior parte dos jovens não conseguiria fazer. Uma dessas homenagens foi, em 1998, a colocação da sua fotografia no Hall Of Fame de Nova Iorque, lado a lado com Jesse Owens.

Leon Stukelj A celebração do seu centésimo aniversário foi um acontecimento nacional, que contou com a presença do presidente da república, do primeiro ministro e de muitas outras figuras conhecidas, nacionais e internacionais, tais como Nadia Comaneci, Bob Beamon e Mohamed Ali. O momento alto das celebrações foi uma gala de Ginástica chamada "Ave Triumphator", que contou com alguns dos mais prestigiados ginastas mundiais. Juan Antonio Samaranch, presidente do Comité Olímpico Internacional, não faltou ao aniversário, e aproveitou para fazer a Stukelj um convite de honra para assistir aos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, a exemplo do que havia acontecido em Atlanta 1996. O ginasta agradeceu mas acrescentou: "Para 2000 ainda falta muito... Vamos lá ver." Às 3 horas da manhã do dia 8 de Novembro de 1999 o mundo perdia o seu mais velho campeão olímpico, a quem, carinhosamente, chamava "Lord of the Rings" Esloveno (o senhor dos anéis/argolas - a tradução para Português não funciona, já que temos palavras diferentes para "anéis" e "argolas", mas... vale a intenção! :o)).

Mas, e regressando à gloriosa década de 20, Leon Stukelj não foi o único a brilhar nos Jogos Olímpicos de Amsterdão. Em 1928, outros seis ginastas Eslovenos enriqueceram a lista de medalhas jugoslavas: Joze Primozic, que contribuiu com uma medalha de prata e uma de bronze, Stane Derganc, com duas medalhas de bronze, e Janez Porenta, Boris Gregorka, Anton Malej e Edvard Antosiewicz, com uma medalha, também de bronze, cada um. Na década de 60 subiu à ribalta aquele que é considerado "o herdeiro de Stukelj": Miroslav Cerar, mais conhecido como Miro Cerar, que é dono de vinte e oito medalhas (entre Jogos Olímpicos - uma medalha de ouro e uma de bronze em 1964 e uma de ouro em 1968, tendo participado também em 1960 - Mundiais e Europeus), dezasseis das quais são de ouro. Nessa altura, também Tine Srot era um ginasta Esloveno de destaque.

Seguiu-se um período pouco rico na modalidade desportiva mais gloriosa de sempre na Eslovénia, até que no final dos anos 80 surgiu Alojz Kolman, medalhado em campeonatos da Europa. Mais recentemente, os nomes a destacar são os de Aljaz Pegan, Dejan Locnikar, Mitja Petkovsek e Mojca Mavric, todos campeões Europeus.

Também atletas Eslovenos de desportos colectivos ganharam medalhas olímpicas (e não só) jogando na equipa Jugoslava. Foi o caso de vários jogadores de Basquetebol e de Andebol, modalidades que são, a par do Hóquei no Gelo, os desportos colectivos mais apreciados na Eslovénia, excepção feita ao Futebol. No Hóquei no Gelo, um dos desportos preferidos dos Eslovenos (ainda que tenha vindo a perder popularidade), os melhores clubes nacionais são o Olimpija e o Acroni Jesenice, que estão sempre envolvidos na luta pelo título nacional.

Ao nível do Andebol, o Celje Pivovarna Lasko tem dominado por completo nos últimos anos, com o Prule 67 e o Prevent a merecerem também algum destaque. Mas o sucesso do Celje Pivovarna Lasko estende-se ao estrangeiro, tendo conquistado o título Europeu de clubes em 2003/04. Idêntico feito atingiram as jogadoras do Krim Neutro Roberts, que em 2000/2001 levaram para a Eslovénia o troféu da Liga dos Campeões feminina. Quanto a atletas Eslovenos que subiram ao pódio olímpico pela selecção Jugoslava, são três: Alenka Cuderman ficou em primeiro lugar em 1984, Rolando Pusnik recebeu também o ouro em 1984 e o bronze em 1988 e Iztok Puc esteve presente no terceiro lugar de 1988 e conquistou ainda o ouro em 1996 (apesar de ser Esloveno, Puc preferiu jogar pela selecção Croata).

O Basquetebol é, destas três modalidades, a mais acarinhada na Eslovénia. E também nela o sucesso tem sido uma constante. Os melhores clubes Eslovenos são, entre outros, o Union Olimpija, o Krka Telekom Novo Mesto, o Pivovarna Lasko... Mas, apesar do Olimpija Ljubljana ter tido participações assinaláveis nas competições europeias, é a nível individual que os basquetebolistas Eslovenos se têm vindo a destacar, tendo sido contratados por equipas de grande nomeada, quer na Europa quer na NBA. Alguns exemplos são: Sani Becirovic, Matjaz Smodis, Marko Milic, Boris Gorenc (que chegou a jogar um torneio pelos Chicago Bulls, embora não tenha assinado contrato com o clube, Radoslav Nesterovic, Primoz Bezec e ainda Arriel McDonald, um norte-americano naturalizado Esloveno. Na Eslovénia nasceu ainda uma lenda do Basquetebol, Ivo Daneu, que, a jogar pela selecção da Jugoslávia foi considerado o melhor jogador do Campeonato do Mundo de 1967 e ganhou, juntamente com Aljosa Zorga, a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1968. Prata foi ainda o prémio de outros três basquetebolistas Eslovenos a jogar pelo seu antigo país: Vinko Jelovac em 1976 e Jure Zdovc e Polona Dornik em 1988. Referência incontornável é ainda Peter Vilfan, que é actualmente dirigente da Federação Eslovena de Basquetebol.

Os desportos de Inverno são outra das paixões dos Eslovenos. Em 1689, no seu livro "A Glória do Ducado de Carniola", J.V. Valvasor (1641-1693) descreve o modo utilizado pelos camponeses de Carinthia para descer até ao vale, descrição essa que se encaixa perfeitamente naquilo que é hoje o Esqui. Mais: em Bloke, a sul de Ljubljana, já se esquiava no tempo em que os Eslavos se estabeleceram na região, ou seja, por volta do ano 600 d.C.. Isso prova que, apesar de não terem sido inventados na Eslovénia, os esquis fazem parte da cultura do povo Esloveno desde há muito tempo. Na altura eram utilizados para diversas funções do dia-a-dia - até mesmo para transportar o caixão em funerais - mas também já se faziam jogos e brincadeiras com eles. Além disso, a Eslovénia é o berço dos chamados "voos" em Esqui, ou seja, dos saltos que atingem uma distância O tranpolim de Planica enorme e nos quais o esquiador consegue, literalmente, voar. O "pai" destes voos é Stanko Bloudek (1890-1959), o engenheiro, desportista e promotor entusiasta do desporto que construiu, apesar da enorme oposição nacional e internacional (até mesmo da Federação Internacional de Esqui), o trampolim de Planica, no noroeste da Eslovénia. Foi lá que pela primeira vez na história se ultrapassou a barreira mágica dos 100 metros. Isto explica em parte o grande interesse dos Eslovenos por desportos de Inverno, embora outro factor muito importante seja a grande quantidade de montanhas (e, actualmente, de excelentes estâncias) que tornam a prática de desportos de Inverno mais acessível. Também por isso a Eslovénia viu nascer muitos campeões de Inverno. No Esqui alpino, no salto e até no Snowboard, são muitos os campeões que falam Esloveno, sobretudo nos últimos vinte anos. Bojan Krizaj, Boris Strel, Jure Franko, Mateja Svet, Jure Kosir e Matej Jovan (estes dois últimos são grandes amigos e formaram uma banda rap que já lançou dois discos), Katja Koren, Alenka Dovzan, Natasa Bokal, Urska Hrovat, Spela Pretnar, Andrej Miklavc (Esqui alpino), Primoz Ulaga, Miran Tepes, Matjaz Debelak, Matjaz Zupan, Franci Petek, Primoz Peterka, Peter Zonta (saltos), Polona Zupan e Dejan Kosir (Snowboard) são alguns dos nomes Eslovenos que ficarão na história dos desportos de Inverno.

Passando ao montanhismo, é Esloveno um dos nomes mais admirados pelos aficcionados da modalidade: Tomaz Humar. Já reconhecido mundialmente como um dos melhores montanhistas do mundo, Humar fez história no dia 3 de Novembro de 1999 ao tornar-se o primeiro homem a escalar (sozinho) a parede sul do monte Dhaulagiri, no Nepal, cujos 8.167m de altura fazem dele a oitava montanha mais alta do mundo. Foram 9 dias de intenso sacrifício numa das paredes mais difíceis e verticais do planeta, que é também um local muito propício a avalanches e portanto muitíssimo mais perigoso. Outro nome importantíssimo no montanhismo Esloveno é o de Joza Cop (1893 -1975), um excelente alpinista que salvou muitas pessoas nas montanhas da Eslovénia.

Também na história do desporto, embora não de Inverno, ficarão os seis remadores Eslovenos que, em 1992, foram os primeiros atletas a subir ao pódio olímpico vestidos com as cores do seu próprio país, todos para receber a medalha de bronze. Denis Zvegelj e Iztok Cop nos double sculls e Jani Klemencic, Saso Mirjanic, Milan Jansa e Sadik Mujkic nos four sculls foram os sucessores do próprio Sadik Mujkic e de Bojan Preseren, que já em 1988 haviam levado o bronze para a Eslovénia, na altura ainda uma república Jugoslava.

Em 1996, o momento de glória foi do canoísta Andraz Vehovar (medalha de prata no slalom individual) e de Brigita Bokovec, a primeira Eslovena a conseguir uma medalha olímpica pelo seu país: ficou em segundo lugar nos 100 metros com barreiras (em 2000 ficou na quarta posição). Há ainda outros nomes do Atletismo Esloveno que merecem destaque. Alenka Bikar (100 e 200 metros), Matija Sestak (400 metros), Brigita Langerholc (400 e 800 metros - quarta classificada em Sydney nos 800m), Helena Javornik (campeã e recordista em provas dos 1500 metros até à Maratona - uma das poucas atletas do mundo a atingir este feito), Britta Bilac (salto em altura), Gregor Cankar (salto em comprimento) e Anja Valant (salto triplo e salto em comprimento) são alguns exemplos. Ficou por mencionar o nome da melhor atleta Eslovena da actualidade: Jolanda Ceplak, recordista mundial dos 800m em pista coberta e terceira classificada em Atenas 2004 na mesma distância. É obrigatório ainda falar em Merlene Ottey, a mais medalhada atleta feminina de sempre, que em Atenas competiu pela Eslovénia. Apesar de todas as suas medalhas terem sido conquistadas com a camisola da Jamaica, o seu nome inspira respeito e admiração a qualquer amante do atletismo.

Foi em Sydney que o hino nacional da Eslovénia foi ouvido pela primeira vez em Jogos Olímpicos, e por duas vezes no mesmo dia: primeiro em honra dos campeões do mundo de double sculls, os remadores Luka Spik e Iztok Cop (que em Atenas conquistaram a prata), e depois do atirador Rajmond Debevec. Essas duas medalhas fizeram da Eslovénia o segundo país com maior índice de medalhas de ouro per capita nesses Jogos Olímpicos: uma medalha de ouro por milhão de habitantes, atrás das Bahamas, que, apesar de só ter conseguido uma medalha de ouro, tem apenas cerca de 300.000 habitantes.

Em 2004 a Eslovénia teve ainda mais dois medalhados (ambos com o bronze): a judoca Urska Zolnir (na categoria -63kg) e o velejador Vasilij Zbogar (na classe Laser - na qual foi campeão Europeu também em 2004).

Luka Spik e Iztok Cop em Sydney, orgulhosos das medalhas conquistadas


O ténis é também uma modalidade na qual os Eslovenos têm obtido algum reconhecimento internacional. Ou melhor, não os Eslovenos, mas as Eslovenas. Quatro mulheres têm alcançado bastante sucesso, tornando-se assim sucessoras de Mima Jausovec, a maior tenista Eslovena de sempre que venceu Roland Garros em 1977 (singulares) e 1978 (pares), tendo chegado à final por duas outras vezes, ambas em singulares. Katarina Srebotnik, Tina Krizan, Maja Matevzic e Tina Pisnik são participantes habituais em torneios do Grand Slam, e se é verdade que individualmente não têm tido muita sorte, na variante de pares têm obtido muito êxito, jogando juntas ou com parceiros estrangeiros. Katarina Srebotnik, que é a mais conhecida dos Portugueses por ter vencido o Estoril Open em 1999 (tornando-se assim a quarta jogadora de sempre a vencer o seu primeiro torneio da WTA), joga habitualmente ao lado de Tina Krizan, e foi com ela que venceu o Estoril Open na variante de pares em 2000 (tendo chegado à final também em 2001). Katarina foi ainda a protagonista do momento mais alto do ténis Esloveno quando, em 1999, se sagrou, tendo como parceiro o sul-africano Piet Norval, campeã de Roland Garros na variante de pares mistos. Em Abril de 2001 tive oportunidade de assistir a parte de uma partida de Katarina Srebotnik e Tina Krizan contra a francesa Alexandra Fusai e a italiana Rita Grande. Era uma das meias-finais do Porto Ladies Open, mas a chuva interrompeu a partida por tempo indefinido e não pude ver mais que alguns jogos do primeiro set. Infelizmente as Eslovenas viriam a perder. A parte boa de tudo isto foi tê-las visto ao vivo e ter conseguido o autógrafo da Tina Krizan! :o)

Em 2001 juntou-se mais um nome à lista dos melhores desportistas Eslovenos: Andrej Hauptman. O momento alto do ano e da carreira deste ciclista de 26 anos aconteceu em Portugal quando, em Outubro, conquistou a medalha de bronze nos Mundiais de Estrada.

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