Desporto adaptado


[Breve história do desporto adaptado]
[O desporto adaptado na Eslovénia]


Breve história do desporto adaptado

As pessoas portadoras de deficiências praticam desporto há mais de 100 anos. No entanto, as origens do Comité Internacional de Desporto para Surdos (CISS - Comité International des Sports des Sourds), a mais antiga das associações de prática desportiva para pessoas com deficiências, remontam apenas à década de 20 do século passado: os primeiros Jogos foram organizados em Paris, em Agosto de 1924. Durante a competição, entusiasmados com o seu sucesso, os líderes do desporto para surdos dos nove países que participaram dos Jogos reuniram-se e criaram a CISS. Mas foi depois da Segunda Guerra Mundial, devido ao elevado número de veteranos de guerra mutilados, que o desporto adaptado conheceu maior desenvolvimento. Esse desenvolvimento está, em grande parte, ligado ao nome do Dr. Ludwig Guttmann, que introduziu o desporto como forma de reabilitação de pessoas que sofreram lesões na coluna vertebral no centro para tratamento de lesões da coluna do Hospital Stoke Mandeville.

Após um primeiro "ensaio" em 1952, os primeiros Jogos Olímpicos para deficientes - Jogos Paralímpicos, com o prefixo "para" a derivar de "paralelo" e não de "paraplégico" - tiveram lugar em Roma, em 1960, com a participação de indivíduos com lesões na coluna vertebral. Continuaram a realizar-se Jogos Paralímpicos de 4 em 4 anos, até que, em 1976, os Jogos foram abertos a portadores de outros tipos de deficiências. Foram-se então formando várias associações desportivas, cada uma em nome dos desportistas portadores de um tipo de deficiência específico. As associações criadas foram as seguintes:

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  • CP-ISRA: Cerebral Palsy International Sport and Recreation Association (Associação Internacional de Desporto e Recreação para Paralisados Cerebrais)
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  • IBSA: International Blind Sports Association (Associação Internacional de Desporto para Cegos)
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  • INAS-FID: International Association Sport for Persons with an Intellectual Disability (Associação Internacional de Desporto para Pessoas com Deficiência Intelectual)
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  • ISMWSF: International Stoke Mandeville Wheelchair Sports Federation (Federação Internacional de Desporto em Cadeira de Rodas de Stoke Mandeville)
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  • ISOD: International Sports Organisation for the Disabled (Organização Internacional de Desporto para Deficientes)
Com o desenvolvimento das competições conjuntas de indivíduos com vários tipos de deficiências, era necessário um órgão que mediasse as relações entre as associações e o IOC/COI (International Olympic Commitee/Comité Olímpico Internacional), e foi para cumprir essa missão que foi criado o ICC (International Co-ordination Committee of World Sports Organisations for the Disabled - Comité Internacional de Coordenação das Organizações Mundiais para os Deficientes) em 1982, tendo sido em 1989 substituído pelo IPC/CPI - Internacional Paralympic Committee/Comité Paralímpico Internacional. O IPC/CPI integrava as cinco associações referidas acima, mas a CISS manteve-se sempre à parte e os surdos ainda hoje têm uma competição independente (os Jogos Surdolímpicos), não participando dos Jogos Paralímpicos.

Se estiver interessado em saber mais sobre a história do Desporto Adaptado, siga as hiperligações de cada uma das associações clicando sobre o seu nome.

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O desporto adaptado na Eslovénia

A Associação Eslovena de Desporto Adaptado, (ZSIS - Zveza za Šport Invalidov Slovenije) foi fundada em 1950 e actualmente inclui vinte e uma modalidades: atletismo, boccia, bowling, basquetebol, basquetebol em cadeira de rodas, ciclismo, esqui alpino, esqui nórdico, futebol, goalball, maratona, maratona de 21km, natação, pesca, ténis, ténis em cadeira de rodas, ténis de mesa, tiro, voleibol, voleibol sentado e xadrez.

Esta associação, presidida pelo Sr. Emil Muri, tem tido um papel importantíssimo na promoção do desporto adaptado e introdução da prática desportiva na vida dos deficientes físicos e mentais, com todas as consequências positivas que daí advêm. Financiada pelo estado Esloveno e por organizações humanitárias, a ZSIS formou, em 2000, o "Fundo Paralímpico", contando para isso com a colaboração de uma série de figuras públicas: Miro Cerar (antigo ginasta) e Brigita Bukovec (atleta), sobre os quais poderá saber mais na parte "Outros desportos", Janez Cadež (director-geral do canal de televisão RTV), Miloš Kovacic (presidente de uma importante empresa de produtos farmacêuticos, a Krka) e Mitja Meršol (jornalista e chefe de edição do jornal diário DELO).

Os atletas de desporto adaptado da Eslovénia têm alcançado bastante sucesso internacional, sobretudo desde que começaram a participar nos Jogos Paralímpicos em 1972 (integrados na equipa da Jugoslávia, é claro). Vinte anos depois, em 1992, passaram a competir pela sua própria bandeira, e desde esse ano conquistaram já cerca de 170 medalhas em competições internacionais, sendo que destas cerca de um terço é de ouro, um terço de prata e, obviamente, um terço de bronze.

Franjo Izlakar Nos Jogos Paralímpicos Sydney 2000 quatro atletas Eslovenos somaram a esta lista outras tantas medalhas:
- Franc Pinter, medalhado de prata em 1996 em tiro (pistola de ar comprimido em pé), alcançou idêntica distinção em 2000;
- Franjo Izlakar, que havia conquistado as primeiras medalhas paralímpicas para a Eslovénia, em Barcelona 92 - ouro com recorde mundial no lançamento do peso e ouro com recorde paralímpico no lançamento do disco - e ainda prata no lançamento do peso em Atlanta, voltou a ver premiado com prata o seu lançamento do peso;
- Janez Roškar, que havia recebido a medalha de bronze em 1996 pelo seu lançamento do dardo, repetiu tambem o seu feito;
- Dragica Lapornik estreou-se no pódio paralímpico, também com o bronze mas no lançamento do peso.
- Os 17 atletas que compunham a delegação Eslovena nos Jogos Paralímpicos de Sydney alcançaram ainda duas quartas posições (novamente Franc Pinter, desta vez com a pistola de ar 3x40, e Andreja Dolinar no ténis de mesa), bem como diversas colocações no "top ten" das várias categorias das modalidades em que participaram (atletismo, goalball, natação, ténis de mesa e tiro).

Em Atenas os Eslovenos conquistaram o mesmo número de medalhas que em Sydney (quatro), mas desta vez o hino Esloveno fez-se ouvir no estádio Paralímpico, porque Mateja Pintar ganhou a medalha de ouro no ténis de mesa. Franc Pinter atingiu a prata no tiro e Tatjana Majcen alcançou duas medalhas: prata no lançamento do dardo e bronze no lançamento do disco.

Pelo sucesso alcançado em Jogos Paralímpicos, Campeonatos do Mundo, da Europa e outras competições, outros atletas Eslovenos merecem destaque: Sabina Hmelina, Lojzka Meglic e Samo Petrac (esquiadores surdos), Franc Simunic (ténis de mesa), Danijel Pavlinec (que conquistou as restantes medalhas paralímpicas eslovenas, bronze nos 100 e 200 metros livres em Atlanta 96) e Marjan Peternelj (atletismo). Destaque ainda para as equipas de desportos colectivos, como o goalball, basquetebol para surdos (masculino) - medalha de prata nos Jogos Surdolímpicos Roma 2001, tendo sido a única equipa que deu luta aos americanos, que venceram todas as outras partidas com enormes diferenças pontuais - e voleibol sentado (feminino).

Os deficientes são pessoas que, vencido o seu próprio preconceito, lutam diariamente contra uma limitação mais ou menos grave, contra os preconceitos dos outros, contra pequenos pormenores do nosso mundo que parecem ignorar a existência de pessoas com necessidades especiais... e ainda travam a luta do dia-a-dia, que também a nós nos parece tão dura e complicada. Os atletas de desporto adaptado Eslovenos, Portugueses e do mundo inteiro são um exemplo para essas pessoas e também para todas as outras; são símbolos vivos da força de vontade, da coragem, do carisma. Transpor os seus próprios limites é a primeira, maior e mais difícil vitória; aquela que abre caminho a todas as outras. Estes são os verdadeiros heróis do desporto Esloveno.

Atletas Paralímpicos Eslovenos com o ex-presidente Milan Kucan

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