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No dia 8 de Fevereiro é celebrado, na Eslovénia, o "Dan slovenske kulture" ou "Slovenski kulturni praznik": o Dia Nacional da Cultura. Em muito poucos países haverá um feriado nacional dedicado à cultura. Mas não é estranho que a Eslovénia o tenha estabelecido, já que este país tem com a cultura (enquanto conjunto de manifestações artísticas e de desenvolvimento intelectual) uma relação muito especial. A estatística prova-o: os Eslovenos lêem muitos livros (comprados e requisitados em bibliotecas), vão muitas vezes ao teatro, participam, como profissionais e amadores, em actividades culturais e, sobretudo, valorizam muito o seu património cultural e histórico. 8 de Fevereiro foi o dia escolhido para celebrar esta paixão nacional pois é a data da morte do maior poeta Esloveno: France Prešeren. Mas a arte Eslovena, em particular a literatura, consagrou muitos outros nomes, e vice-versa. [Literatura] [Artes Plásticas e Arquitectura] [Cinema, Teatro e Ballet] [Música] [Ciências] Literatura
Tendo na poesia a sua vertente mais importante e mais produtiva, a literatura Eslovena tem como "pai" o líder do movimento Protestante e fundador da Teologia na Eslovénia, Primoz Trubar (1508-1586), autor dos primeiros livros em língua Eslovena ("Katekizem" e "Abecednik"), que actualmente é representado na nota de 10 tólares. Também no século XVI, Jurij Dalmatin (1547-1589) traduziu a Bíblia para Esloveno e Adam Bohoric (1520-1598) escreveu a primeira gramática da língua Eslovena.
Já no século XVIII, após um período de estagnação, a literatura Eslovena ressurgiu com Anton Tomaz Linhart (1756-1795), que escreveu as primeiras peças de teatro em Esloveno e Valentin Vodnik (1758-1819), um padre católico, que se destacou dos demais pela sua poesia, não só religiosa, decisivamente influenciada pelo Iluminismo.
O século XIX trouxe o Romantismo, cujo principal representante na Eslovénia foi nada mais nada menos que France Preseren. Nascido em Vrba (perto de Bled) em 1800, quando a Eslovénia pertencia ao império austro-húngaro, não tinha ainda 10 anos quando as tropas napoleónicas invadiram a região, transformando-a nas 'Províncias Ilírias' por alguns anos. Mais tarde, com a Eslovénia novamente sob domínio austro-húngaro, Preseren foi estudar Direito em Viena, tendo depois regressado à Eslovénia, onde só dois anos antes da sua morte (em 1849) conseguiu abrir um escritório. Entretanto, teve três filhos ilegítimos de Ana Jelovsek, vivendo no entanto uma enorme paixão não correspondida por Julija Primic, uma menina de classe média cujos pais consideravam que Preseren não estava ao seu nível. Em grande parte da sua obra, Preseren canta o seu amor por Julija e o desejo de liberdade da sua pátria, manifestando a sua forte consciência nacionalista, que tentava incutir nos outros. Um excerto do seu poema "Zdravljica" ('O Brinde') foi mais tarde adoptado como hino nacional da agora independente Eslovénia. Representado na nota de 1000 tólares, Preseren dá nome ao mais prestigiado prémio de arte na Eslovénia. France Preseren é para os Eslovenos como que um herói nacional, ainda que isso soe um pouco estranho aos ouvidos de quem, como nós em Portugal (e não só), se habituou a ver como heróis nacionais apenas os nossos melhores desportistas (e participantes em programas de televisão, mas esse assunto daria pano para mangas... :o)). Não é que na Eslovénia também não o façam; fazem. Mas a Eslovénia vive Preseren de uma forma extraordinariamente intensa.
Seguindo por ordem cronológica a história da literatura na Eslovénia, torna-se imperativo referir Simon Gregorcic (1844-1906), um poeta nacionalista que também escrevia canções (das quais "Soci", inspirada no rio Soca, é a mais famosa e ainda hoje as crianças a aprendem na escola), e Josip Jurcic (1844-1881).
Seguiu-se o Realismo e Ivan Tavcar (1851-1923), na segunda metade do século XIX, tendo o Modernismo na Eslovénia começado com o lançamento de Erotika, de Ivan Cankar (1876-1918), em 1899. Representado na nota de 10000 tólares, Cankar viveu e estudou em Viena durante cerca de 10 anos, e foi o primeiro escritor profissional Esloveno, vivendo exclusivamente da escrita. Foi um dos mais proeminentes escritores europeus do início do século XX, com o seu estilo único e a sua constante análise/crítica social, moral e política. Já em 1913, consciente da proximidade da consumação da união dos Eslavos do Sul num só estado, Cankar vaticinou o fracasso desse novo estado, devido às discrepâncias étnicas e culturais entre os povos que fariam parte dele.
Nascido quatro anos antes de Cankar, Fran Saleski Finzgar (1871-1962) ficou célebre como um dos maiores dramaturgos da Eslovénia. Dragotin Kette (1876-1899) e Josip Murn (1879-1901), ambos vítimas de morte precoce, são também figuras importantes da literatura Eslovena da época. Ainda na decada de setenta do seculo XIX nasceu Oton Župancic (1878-1949). Considerado o maior poeta Esloveno desde Preseren, Zupancic viveu e escreveu ainda durante quase toda a primeira metade do século XX, século esse que foi riquíssimo em quantidade e qualidade literária na Eslovénia. É possível citar vários nomes, de vários estilos, sendo, no entanto, inevitável deixar (involuntariamente) de lado muitos escritores, poetas e dramaturgos de qualidade do século XX na Eslovénia, já que estes formam uma lista extensíssima. Podemos começar por referir Prezihov Voranc (pseudónimo de Lovro Kuhar, 1893-1950), principal representante da literatura vocacionada para a crítica social da década de 30 na Eslovénia, France Bevk (1890-1970, tendo nascido e falecido exactamente na mesma data: 17 de Setembro) e o jovem visionário Srecko Kosovel (1904-1926), seguindo-se-lhes os poetas da resistência, dos quais se destacaram Matej Bor (pseudónimo de Vladimir Pavsic, 1913) e Karel Destovnik Kajuh (1922-1944), que foi morto durante a Segunda Guerra Mundial. Referência incontornável é também Edvard Kocbek (1904-1981), um dos maiores poetas Eslovenos. No panorama literário pós-guerra e contemporâneo
na Eslovénia destacam-se os dramaturgos Dominik Smole (1929), Gregor Strnisa (1930-1987) e Drago Jancar (1948), os escritores Vitomil Zupan (1914-1987), Andrej Hieng (1925), Evald Flisar (1945) e Andrej Blatnik (1963) e os poetas Ciril Zlobec (1925), Niko Grafenauer (1940), Jure Potokar (1956), Alojz Ihan (1961) e o jovem Ales Steger (1973). A estes acrescentam-se outros nove poetas que têm uma particularidade muito especial: já podem ser lidos em Português. O livro que contém a tradução dos seus poemas chama-se "Nove Poetas Eslovenos Contemporâneos" e foi editado em 2000 pela Slovene Writers Association. Os poetas escolhidos foram Brane Mozetic (1958), Svetlana Makarovic (1939), Uros Zupan (1963), Dane Zajc (1929), Boris Novak (1953), Veno Taufer (1933), Ales Debeljak (1961), Kajetan Kovic (1931) e Tomaz Salamun (1941), actualmente o mais conhecido e aclamado poeta Esloveno.
![]() Artes Plásticas e Arquitectura
As artes plásticas são também uma área na qual vários Eslovenos se destacaram. Nas notas de tólar estão representados dois pintores: Rihard Jakopic (1869-1943), na nota de 100 tólares, e Ivana Kobilca (1861-1926), na de 5000 tólares. Jakopic, impressionista que estudou em Viena, Munique e Praga, fundou a Escola Eslovena de Desenho Impressionista, em Ljubljana, precursora da Academia das Artes, e foi um dos primeiros membros da Academia Eslovena das Artes e das Ciências, fundada em 1938. Ivana Kobilca, pintora da escola realista, por sua vez, estudou em Munique e trabalhou por toda a Europa, sobretudo em Sarajevo. Kobilca é, provavelmente, a Eslovena mais importante de sempre. Ivan Grohar (1867-1911), impressionista que se dedicou a pintar a paisagem e as pessoas dos campos da Eslovénia, e também uma figura importante das artes plásticas no pais, tal como Valentin Metzinger, que foi o maior pintor barroco da Eslovénia, que embora não tenha nascido no país passou em Ljubljana cerca de 30 anos. O mesmo sucedeu com aquele que foi sem dúvida o maior dos escultores Eslovenos: Francesco Robba. Outros escultores eslovenos merecedores de referência são France Gorse (1897-1986) e Jakob Savinsek (1922-1961). Também muito importante na arte Eslovena é o pintor Ivo Prancic, a pintora Ejti Stih, cujas obras foram expostas em Portugal, no Centro Cultural de Belém, em 1999, e a artista Marjetica Potrc, que expôs nada mais nada menos que no Museu Guggenheim em Nova Iorque. Destaque ainda para o grupo de pintores Irwin, que, juntamente com a banda Laibach (que merecerá referência quando falarmos de música) e com o grupo de teatro Scipion Nasice Sisters, formou o NSK (Neue Slowenische Kunst - Nova Arte Eslovena), que descrevem como sendo uma espécie de estado sem fronteiras, um "estado de espírito", que emite até os seus próprios passaportes.
Miki Muster é o nome de outro Esloveno com mãos mágicas. Muster é caricaturista, autor de banda desenhada e de filmes animados, e não é por acaso que é considerado o "Walt Disney Esloveno". Os seus personagens mais famosos são a raposa Zvitorepec ("Cauda Enrolada"), a tartaruga Trdonja ("Duro") e o lobo Lakotnik ("Esfomeado"), que figuram até em selos dos correios Eslovenos. Muster dedicava-se também ao cartoon de cariz político, e a sua colaboração com o famoso humorista Gullermo Mordillo nos anos setenta resultou numa bem sucedida série de 400 filmes de animação. Actualmente com mais de 75 anos, Muster já não desenha, mas supervisiona a publicação dos seus trabalhos.
Magia faz ainda Evgen Bavcar, um fotógrafo e filósofo Esloveno de 55 anos que é cego desde os 11.
![]() ![]() Cinema, Teatro e Ballet
Mais recentemente, Igor Sterk, Janez Burger, Vito Taufer e Jan Cvitkovic são alguns dos nomes mais promissores do cinema Esloveno, tendo o segundo vencido com o seu filme "Pão e Leite" ("Krhu in Mleko") - que Cvitkovic tentou fazer, segundo o próprio, "o mais esloveno possível" - o Leão do Futuro (prémio para o melhor filme cujo realizador seja estreante) no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Veneza em 2001.
A companhia de teatro Ana Monro merece destaque devido à sua originalidade: performances de rua, improvisação, são várias as características que a distinguem das outras companhias de teatro e que fazem dela referência obrigatória quando se fala de teatro esloveno. Tivemos oportunidade de ver, em Setembro de 2001, por ocasião do Porto Capital Europeia da Cultura 2001, uma actuação desta companhia na Praça dos Poveiros. A peça chamava-se "Piquenique" e era hilariante. Realça-se o esforço dos actores, que diziam as palavras-chave da história em Português... e muito bem pronunciado! :o) Foi fantástico. Um tipo diferente de teatro que esta também fortemente implantado na Eslovénia é o teatro de marionetas. Segundo o Instituto Internacional do Teatro, associado à Unesco, existem na Eslovénia cerca de 170 grupos de teatro amador e cerca de 190 (!) grupos de teatro de marionetas. Neste campo, Robert Waltl, jovem actor e marionetista, merece grande destaque pelo seu talento (reconhecido a nível internacional) e pela criação do "Mini-Teatro de Ljubljana", que tem como público-alvo principal as crianças.
![]() Música
Também na música a Eslovénia é um país com tradição. A Academia Philharmonicorum (Academia Filarmónica), foi fundada em 1701, tendo ainda nesse século passado a chamar-se Philharmonische Gesellschaft (Sociedade Filarmónica). A Sociedade Filarmónica contou com membros honorários de enorme prestígio, destacando-se dentre eles nem mais nem menos que Ludwig van Beethoven, cuja carta de agradecimento, juntamente com a pauta da Sinfonia Pastoral enviada pelo compositor, encontra-se actualmente na Biblioteca Nacional em Ljubljana. Em 1908 a Sociedade Filarmónica passou a chamar-se Slovenska Filharmonija (Filarmónica Eslovena), designação que mantém ate hoje. Em Setembro de 2001 comemorou-se, com pompa e circunstância, o 300º aniversário da sua precursora, a Academia Filarmónica. Actualmente, existem na Eslovénia duas casas de ópera e cinco orquestras profissionais, para alem de vários grupos corais internacionalmente famosos.
Ao longo dos séculos nasceram na Eslovénia músicos com extraordinário talento que são relembrados até aos dias de hoje. É imperativo começar por Jacobus Gallus (1550-1591), cuja imagem aparece nas notas de 200 tólares, que foi o mais importante compositor Esloveno de sempre, e um dos melhores da Europa no seu tempo; no entanto, é também importante a referência a Giuseppe Tartini (1692 - 1770), que nasceu em Piran, embora na altura do seu nascimento Piran fosse território italiano, e os irmãos Benjamin (1839-1908) e Josic Ipavec (1873-1921). Mas o século XX foi sem dúvida aquele em que viveu a maior parte dos grandes músicos eslovenos. Marij Kogoj (1892-1956), Slavko Osterc (1895-1941), Karol Pahor (1896-1974), Lucijan Marija Skerjanc (1900-1973), Blaz Arnic (1901-1970) e Marjan Kozina (1907-1966) são alguns dos melhores compositores eslovenos nascidos no final do seculo XIX / início do século XX, seguindo-se-lhes, cronologicamente, Primož Ramovš (1921-98/99), Vinko Globokar, (b1934 - nascido em França, filho de emigrantes Eslovenos), Jani Golob (b1948), Aldo Kumar (1954), Uros Rojko (1954), Tomaz Svete (b1956), Brina Jez-Brezavscek (b1957) e Marko Mihevc (b1957). Em relação a executantes, os irmãos Matija (violoncelista, nascido em 1938), Primoz (pianista, nascido em 1942) e Tomaz (violinista, nascido em 1944), que formam o Trio Lorenz, são, a par da flautista Irena Grafenauer, e de dois pianistas, Dubravka Tomšice e o jovem Bojan Gorisek (b. 1962), os eslovenos que têm obtido maior reconhecimento. Importante é ainda referir quatro grandes cantores líricos Eslovenos: o tenor Josip Gostic (1900-1963), e os contemporâneos Irena Baar (soprano), Marjana Lipovsek (mezzo-soprano) e Marcos Fink (baixo-barítono, nascido na Argentina, filho de Eslovenos). Deixando agora a música clássica e a ópera, existem muitos outros excelentes músicos na Eslovénia. Começando pela musica folk, Ansamber Bratov Avsenik (Irmãos Avsenik) é o nome de uma célebre banda Eslovena, existindo muitos outros bons cantores e bandas folk, cada um com o seu estilo próprio, dos quais se destacam a banda Slaki e o cantor Niko Zajc. Laibach, o nome da cidade de Ljubljana em alemão, é também o nome da banda eslovena mais conhecida fora de portas. Constantemente atribuída a vários estilos diferentes, a sua música, repleta de ideologia política, enquadrar-se-á melhor provavelmente no techno-industrial. Como referimos acima, os Laibach fazem parte do grupo de artistas Neue Slowenische Kunst.
Mudando de estilo musical, é obrigatório falar-se em três senhores da música eslovena: Vlado Kreslin, Pero Lovsin e Zoran Predin. Os três começaram as suas carreiras em bandas que foram e ainda são referências do rock esloveno (Martin Krpan, Pankrti e Lacni Franz, respectivamente), tendo participado em outras bandas e cantado a solo. Recentemente, uniram-se num projecto do qual se destaca "Slovenija Gre Naprej", uma música de apoio e homenagem à Selecção Eslovena de Futebol por ter conseguido a qualificação para o Euro2000.
Existem ainda outras referências da música actual Eslovena nos mais variados géneros musicais, embora sem grande projecção internacional. Os Big Foot Mama e os Siddharta são nomes obrigatórios no rock, como os Kingston no ska. No jazz, Primoz Grasic é uma lenda viva, enquanto os Mojo Hand são uma banda da qual gosto muito - apesar de não fazer ideia se é ou não famosa. ![]() Ciências
Finalmente, a merecida vénia a uma série de senhores que, ao longo dos tempos, foram dando a sua contribuição ao avanço da ciência na Eslovénia e no Mundo, nos mais diversos campos. Mentes brilhantes que deixaram o seu nome gravado na história. Por ordem cronológica, o primeiro dos grandes intelectuais eslovenos é Janez Vajkard Valvasor (1641-1693): historiador, geógrafo, etnógrafo, cartógrafo e naturalista responsável pelo livro "A Glória do Ducado de Carniola", uma verdadeira enciclopédia sobre o território que hoje é a Eslovénia (na altura pertencente à Áustria), que é hoje representado na nota de 20 tólares; segue-se-lhe o Barão de Edelstein, Sigismundus Zois (1747-1819) - Italiano de origem Eslovena mais conhecido por Ziga Zois, economista e cientista natural que influenciou a escrita de vários autores (entre os quais Anton Tomaz Linhart e Valentin Vodnik).
Apenas 7 anos depois de Zois nasceu o maior matemático Esloveno de sempre: Jurij Vega (1754-1802), especializado em logaritmos, cuja imagem figura nas notas de 50 tólares e que dá nome a um importante prémio nacional para jovens matemáticos. Entre outros feitos, Vega calculou, em 1796, o valor aproximado de p com 140 casas decimais, recorde que só foi batido 48 anos depois. No século XVIII nasceram ainda dois grandes linguistas: Jernej Kopitar (1780-1844) e Friderik Irenej Baraga (1797 - 1868), que era também missionário e etnólogo, para além de Matija Cop (1797-1835), amigo pessoal de France Preseren que, mais que um escritor, filologista e historiador, era possuidor de um fantástico conhecimento de literatura, tendo lido livros em diversas línguas, incluindo o Português. No ano de 1800 nasceu alguém que viria a ser muitíssimo importante na Eslovénia: o único esloveno beatificado pela Igreja Católica. O seu nome é Anton Martin Slomsek (1800-1862) e era Bispo de Lavant, perto de Maribor, mas fora da zona etnicamente eslovena. Escritor, poeta e educador, dedicou a sua vida a educação do seu povo, que achava que devia ser de qualidade, baseada na religião e no nacionalismo. Organizou escolas e escreveu ele próprio excelentes livros escolares, tendo o seu "Blaze in Nezica v nedeljski soli" ("Blaze e Nezica na Catequese") sido o livro escolar mais popular na Eslovénia durante muito tempo. Transferir a sua diocese para Maribor em 1859 foi um dos seus grandes feitos, que foi importantíssimo para a afirmação da identidade nacional Eslovena. Em 1996, em visita a Maribor, o Papa João Paulo II beatificou o Bispo Anton Martin Slomsek, cujos restos mortais se encontram na Catedral da cidade. O século XIX viu ainda nascer vários cientistas e intelectuais de renome, dos quais se destacam: o linguista Franc Miklosic (1813 - 1891); advogado, geógrafo e político Peter Kozler (1824 - 1879); o físico Jozef Stefan (1835-1893); o linguista e escritor de textos religiosos Padre Stanislav Skrabec (1844-1918); o único Esloveno laureado com o Prémio Nobel, Friderik Pregl (1869 - 1930), fundador da microanálise orgânica quantitativa; o famosíssimo matemático Josip Plemelj (1873 - 1967), que resolveu, em 1906, a integral de Rieman, que muitos julgavam impossível; o Barão Anton Codelli (1875 - 1954), pioneiro na introdução de ligações radiofónicas de longo alcance e inventor de um sistema de televisão, patenteado em 1928; o cientista (da área das correntes eléctricas, transformadores e coisas do género) e exímio jogador de xadrez (tem hoje vários clubes, na Eslovénia e no estrangeiro, com o seu nome) Milan Vidmar (1885-1962); o astronauta Herman Potocnik Noordund (nascido numa parte do império Austro-Húngaro que hoje pertence à Croácia, mas de ascendência Eslovena); o jornalista e escritor Louis Adamic (1898 - 1951), que mais tarde se naturalizou americano; e o cirurgião Bozidar Lavric (1899 - 1961). Também na actualidade alguns eslovenos se destacam pela sua mente brilhante e pelos feitos alcançados a nível cientifico. Destes, entre os quais o físico e designer Andrej Detela, o fisiologista ambiental Igor Mekjavic, o biólogo Ugo Fonda, o especialista em Geomancia e filósofo Marko Pogacnik (criador do brasão que figura na bandeira eslovena), o físico e químico Milan Hodoscek (que, entre outros feitos, construiu com a sua equipa um modelo para simular reacções químicas numa célula, utilizando para isso 32 computadores pessoais), e o filósofo e psicanalista Slavoj Zisek.
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